Como anunciar no Google? Você segue oito passos, nesta ordem: definir a conversão e o custo máximo, configurar a medição, criar a conta no e-mail da empresa, escolher o tipo de campanha, montar palavras-chave por intenção, escrever anúncio e página alinhados, definir verba e lance, e acompanhar as primeiras semanas sem mexer demais. A maioria dos tutoriais começa no passo da campanha. Eu começo antes, porque é o que decide se o dinheiro volta.
Este guia é para quem tem um negócio que já vende e quer tentar o Google Ads com método. Se você ainda está comparando canais, o comparativo Google Ads ou Meta Ads ajuda a decidir primeiro. A visão geral de canais está em tráfego pago para empresas.
Os 8 passos para anunciar no Google (resumo)
- Decida onde anunciar: só no Google Ads ou também no perfil da empresa no Google.
- Defina a conversão e o custo máximo por lead ou venda.
- Configure a medição antes de ligar qualquer campanha.
- Crie a conta com o e-mail da empresa.
- Escolha o tipo de campanha. Para a maioria, Pesquisa.
- Monte palavras-chave por intenção e comece com a lista de negativas.
- Escreva o anúncio e ajuste a página para repetir o que a pessoa buscou.
- Defina verba e lance e acompanhe com uma rotina semanal.
Cada passo abaixo termina com um critério: o que precisa estar pronto para você seguir ao próximo.
Passo 1: decida onde anunciar
Anunciar no Google pode significar coisas diferentes. Este guia trata do Google Ads, a busca paga: você define quanto investir e aparece quando alguém procura um termo ligado ao que você vende.
Existe também o perfil da empresa no Google, que funciona de outra forma e tem regras próprias; segundo a Central de Ajuda do Perfil da Empresa no Google, é preciso adicionar ou reivindicar a empresa e verificar o perfil para ela aparecer na Pesquisa e no Maps, e não há como pagar por uma classificação local melhor. Não vou descrevê-lo além disso.
Meu critério de decisão: se você atende presencialmente em uma região, avalie o perfil junto com o anúncio. Se você vende para várias cidades, atende empresas ou vende online, o Google Ads é o centro da estratégia, e o perfil, se fizer sentido, vem como complemento.
Critério para seguir: você sabe se vai anunciar só em busca paga ou combinar com o perfil. O resto do guia trata do Google Ads.
Passo 2: defina a conversão e o custo máximo
Conversão é a ação que vale dinheiro para você: um formulário enviado, um clique no WhatsApp, uma ligação, uma compra. Sem ela definida, a campanha otimiza para o que for mais fácil, que costuma ser clique.
Depois calcule quanto cada conversão pode custar. Exemplo simbólico:
- Cada cliente novo deixa M de margem.
- Em cada N leads, 1 fecha.
- O custo máximo por lead é M ÷ N. Acima disso você perde dinheiro em cada contato.
- Escolha um alvo X abaixo desse teto, para sobrar folga ao comercial.
Se você não sabe qual é a sua taxa de fechamento, use o histórico do comercial dos últimos meses. Se não existe histórico, assuma um número conservador e corrija depois das primeiras semanas de dados. A conta completa da verba que sai desse X está em quanto custa anunciar no Google.
Critério para seguir: você tem escrito a conversão principal e o X. Sem o X, nenhuma campanha tem como ser julgada.
Passo 3: configure a medição antes da campanha
É o passo que eu não pulo. Segundo a Central de Ajuda do Google Ads, é preciso configurar o rastreamento de conversões para usar a estratégia Maximizar conversões (estratégia de lance automático). Ou seja: sem medição, nem o piloto automático do Google funciona direito.
O que eu confiro antes de ligar:
- Tag de conversão no formulário, no botão de WhatsApp ou na página de agradecimento. Peça a configuração por Tag Manager ou GA4.
- Teste do evento: envie você mesmo um formulário e veja a conversão aparecer na conta.
- Vendas fora do site (telefone, reunião): peça que o resultado do comercial volte para o Google, para ele saber qual lead virou cliente.
- Uma só conversão principal. Marcar tudo como conversão (visita, rolagem, clique em qualquer botão) faz a campanha buscar o contato mais barato, não o melhor.
Critério para seguir: a conversão de teste aparece na conta. Se não aparecer, não ligue a campanha.
Passo 4: crie a conta no e-mail da empresa
Crie a conta de Google Ads com um e-mail da sua empresa, não com o pessoal de um funcionário nem o de um terceiro. Quem cria a conta tende a ficar como proprietário dela, então crie você. A explicação completa sobre propriedade está na seção de conta de agência de Google Ads.
Três cuidados simples:
- Mantenha pelo menos um administrador seu na conta, em um e-mail que a empresa controla.
- Se for contratar alguém para operar, você cria a conta e convida a pessoa. Nunca o contrário.
- Ao preencher o pagamento, use os dados da empresa.
É a regra que eu aplico em todos os projetos, e vale cobrar de qualquer gestor: a conta e a tag de medição ficam no nome da empresa do cliente, e o cliente tem acesso total o tempo todo.
Critério para seguir: você abre a conta e consegue ver tudo nela com o seu login.
Passo 5: escolha o tipo de campanha
O Google Ads tem vários formatos. A escolha depende do que você quer, e a minha regra para quem está começando é simples: comece pela Pesquisa, porque é onde a pessoa já está procurando o que você vende.
| Seu objetivo | Campanha que costumo indicar primeiro | Quando entra |
|---|---|---|
| Receber contatos de quem já procura | Pesquisa | Sempre o ponto de partida |
| Vender produtos de um catálogo | Shopping ou Performance Max | Quando há catálogo de produtos |
| Ficar mais conhecido | YouTube ou Demand Gen | Quando há vídeo e meta de alcance |
| Reimpactar quem visitou o site | Campanha para quem já conhece você | Quando já há visitas ao site |
Evite abrir três tipos de campanha no primeiro mês. Na minha experiência, cada formato novo divide a verba e atrasa a leitura. Para o e-commerce, veja também Google Ads para e-commerce.
Critério para seguir: uma campanha de Pesquisa, com um objetivo e uma conversão.
Passo 6: monte palavras-chave por intenção
A palavra-chave decide quem vê o seu anúncio. A regra que uso é separar os termos pelo que a pessoa quer fazer:
| Intenção | Exemplos (nichos simbólicos) | O que fazer |
|---|---|---|
| Comprar ou contratar | “contratar contador”, “orçamento de reforma” | Prioridade da verba |
| Comparar | “melhor escritório de contabilidade”, “reforma com empreiteira ou arquiteto” | Segundo grupo, depois que o primeiro converte |
| Aprender | “o que é contabilidade”, “como funciona reforma” | Fora da campanha de contato; vira conteúdo |
Como montar a lista:
- Escreva uma lista curta de termos de compra que um cliente digitaria. Use a ferramenta de planejamento de palavras-chave do Google Ads para ver sugestões.
- Digite cada um no Google e olhe quem anuncia e para qual página leva. É uma pesquisa de mercado que você faz em minutos, sem custo.
- Agrupe por tema, com um anúncio e uma página por grupo. Grupo com assuntos misturados gera anúncio genérico.
- Meu critério de gestão: começo em frase ou exata para controlar o que ativa o anúncio, e só abro depois que o relatório de termos mostrar o que funciona.
Palavras negativas desde o dia 1. Negativa é o termo que você bloqueia. Comece com “grátis”, “curso”, “vaga”, “emprego”, “o que é” e variações, quando não são o seu público. Toda semana, abra o relatório dos termos de busca, veja o que realmente ativou o anúncio e acrescente as buscas irrelevantes. Segundo a Central de Ajuda do Google Ads, a correspondência ampla é o padrão de toda palavra-chave e a exata alcança pesquisas com o mesmo significado ou a mesma intenção, não só a grafia idêntica; as negativas impedem a veiculação em pesquisas com termos específicos. Segundo a Central de Ajuda do Google Ads, a correspondência ampla é o padrão de toda palavra-chave e a exata alcança pesquisas com o mesmo significado ou a mesma intenção, não só a grafia idêntica; as negativas impedem a veiculação em pesquisas com termos específicos.
Critério para seguir: cada grupo tem um tema, uma página de destino e a lista inicial de negativas.
Passo 7: escreva o anúncio e ajuste a página
O anúncio e a página precisam repetir o que a pessoa buscou. Quem digitou “orçamento de X” quer ver “orçamento de X” no anúncio e cair em uma página que fala de orçamento de X, não na home.
Checklist do anúncio:
- Título com o termo buscado e o benefício concreto.
- Descrição com um motivo para agir: prazo, diferença, condição. Evite adjetivo vazio.
- Chamada para uma ação só: pedir orçamento, falar no WhatsApp, comprar.
- Pelo menos duas variações por grupo, para comparar depois.
Checklist da página:
- O título repete a promessa do anúncio.
- O formulário pede só o necessário. Cada campo a mais derruba contatos.
- Abre rápido no celular. Teste no seu próprio aparelho, com dados móveis.
- O telefone ou o botão de WhatsApp está visível sem rolar.
Um exemplo simbólico: se a mesma verba traz os mesmos cliques e a página passa a gerar o dobro de contatos, o custo por lead cai pela metade, sem mexer no Google. Por isso eu olho a página antes de aumentar qualquer verba.
Critério para seguir: você clicaria no seu anúncio, chegaria na página e entenderia de relance o que fazer.
Passo 8: defina verba e lance, e acompanhe
Para a verba, use a conta do passo 2: o custo por conversão que você aguenta (X) é a base de tudo. Como transformar esse X em verba mensal, e o que fazer quando a verba é pequena, está em quanto custa anunciar no Google.
Sobre o lance, a escolha prática no começo:
- Com medição ligada e sem histórico: Maximizar conversões, que exige o rastreamento do passo 3.
- Com conversões acumuladas: só então considere uma meta mais exigente de retorno. Antes disso, não force.
As primeiras semanas. Nos primeiros dias você já enxerga os sinais iniciais: quantas pessoas chegam à página, de onde vêm, quanto custa cada visita e quantas saem sem agir. Resultado de venda vem depois e depende da meta e do seu ciclo: abrir um canal de oportunidades é um objetivo, multiplicar o faturamento é outro, bem mais exigente.
Uma campanha nova passa por um período de aprendizado, e o que não mexer nele está em quanto custa anunciar no Google. Aqui, o que importa é a rotina:
- Toda semana, uma tarefa fixa: termos de busca, negativas novas e o custo por conversão contra o X.
- Junte os ajustes em poucas edições planejadas.
- Calcule o seu ciclo: quanto tempo vai do clique ao contato fechado. Esse é o prazo honesto antes de julgar.
Critério para seguir: você tem uma rotina semanal fixa na agenda e o X anotado ao lado do relatório.
Cinco erros que fazem o dinheiro vazar
- Ligar a campanha sem testar a conversão. Você paga e não sabe o que virou contato.
- Contar qualquer clique como conversão. A campanha aprende a trazer clique.
- Pagar por termos de curiosidade (“o que é”, “grátis”) em campanha de contato.
- Mandar todo mundo para a home. A página não responde ao que a pessoa buscou.
- Demorar a responder o lead. O custo por venda sobe sem que o Google tenha culpa. Se o comercial leva horas, a campanha paga a visita e perde o contato.
Quando ainda não anunciar
Tráfego pago amplifica o que já existe. Eu seguraria o anúncio se:
- A conta não fecha. Se o custo máximo por lead é menor do que a busca costuma exigir, ajuste preço, oferta ou ticket antes.
- A página não converte visitas qualificadas em contato.
- Ninguém busca o que você vende. Produto novo ou categoria pouco conhecida pede outro canal, como mostra o comparativo com o Meta.
- Você está começando do zero, sem clientes e sem verba própria para sustentar a conta durante o aprendizado. Neste momento este não é o melhor caminho.
Fazer sozinho ou ter alguém responsável pela conta
Os oito passos são executáveis por quem tem tempo para fazê-los com cuidado. O que costuma pesar depois é a rotina: termos de busca, verba entre campanhas, leitura honesta dos números. Se isso não cabe na sua agenda, vale ter alguém responsável pela conta.
Se a sua empresa já vende, tem verba própria e quer mais cliente novo com previsibilidade, eu aplico estes mesmos passos na gestão de Google Ads, com o responsável sendo o mesmo do início ao fim do contrato. Na conversa de diagnóstico, eu olho a sua conversão, o seu X e a sua página, e digo se anunciar no Google faz sentido agora. Quem atende e responde é o dono.
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